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  • Foto do escritorMarcio Weber

O Peso de Um Passado / Running On Empty (1988) - Sidney Lumet

Por que, você tem de carregar o fardo da vida de outra pessoa?" - Annie Pope

A crise de uma família desajustada que não consegue seguir em frente e tem sempre um assombro de um passado, enquanto os filhos crescem e o ímpeto da vida adulta está cada vez mais forte, a ponto de eclodir. Sidney Lumet lida com tópicos sensíveis e explorados em exaustão em diversos períodos na história do cinema em incontáveis títulos como trabalhos de James Dean, tais quais " Vidas Amargas (1955)" , "Juventude Transviada" (1955) ou"A Primeira Noite de Um Homem" (1967), "Negócio Arriscado" (1987) ou filmes passados de forma recente que trafegam por imaginários com vertentes minimamente comparáveis como exemplares do festival de Sundance como "Me Chame Pelo Seu Nome" (2017) e "Honey Boy" (2019).


O que poderia ser um exemplar esquecido no meio de uma multidão de filmes de um passado e de um presente contínuo em que diversos filmes com essas características narrativas são produzidas e disseminadas em festivais cinematográficos seja por diretores principiantes ou por diretores consagrados que decidem revisitar períodos específico, vistos na obra de Paul Thomas Anderson ("Licorice Pizza"), James Gray ("Armaggeddon Time) e Steven Spielberg ("Os Fabelmans"). Se consagra por elementos de distinção. Dentre eles:





River Phoenix, falecido em 1993. 30 anos depois, ele não perdera o status de astro e está em obras seminais do cinema estadunidense. Dentre eles demonstra uma força ao conseguir distinções para o personagem, uma vulnerabilidade em um personagem sempre em trânsito, fadado aa ter de mudar involuntariamente, a não viver como o jovem de sua idade e ao mesmo tempo que consegue trazer identificações imediatas ao espectador. Ele apresenta um apelo uma certa rebeldia anárquica de não seguir o que é esperado de um sistema, um certo esoterismo, um personagem que é paradoxalmente fácil e difícil de ler ao mesmo tempo. Phoenix guia o espectador habilmente transformando um fascínio que é construído gradativamente a cada descoberta, a cada experiência.


Apesar da força de Danny, o filme está longe de apenas oferecer o protagonista como principal cardápio. Em termos de desenvolvimento de personagens contamos com um trio de performances genuínas e com múltiplas camadas encarnados pelos atores Martha Plimpton, Judd Hirsch e especialmente Christine Lahti. Em que através dos laços que se desembocam entre amores, temores, paixões, harmonia e desarmonia. Um compasso da própria vida.



Organicidade é uma palavra que faz jus a dramaturgia do filme. Desde as interpretações, ao argumento em que parte de uma premissa distante da vida da maioria das pessoas, isto é, ser procurado pelo FBI por um atentado a um laboratório armamentista no período da guerra do Vietnã. Mas tudo decorrente desta trama desde se reinstalar, viver novas conexões, ser atormentado pelo passado, ter o medo de ter tudo a perder. E não somente de situações como palpabilizar emoções genuínas da paixão, da angústia, do ressentimento e de uma tristeza agridoce que são transpostos na tela por uma mise-en-scène que é hábil em transpor emoções complexas através de uma geografia tanto territorial e factível, quando uma subjetiva através dos afetos e de emoções empíricas.


Os diálogos aqui são reveladores, mas nunca expositivos sempre estão diretamente conectados com o sentimento, com a vivência dos personagens. E por mais que siga uma estrutura clássica narrativa e possuir inúmeros lugares comuns que são sobressaídos pr uma emoção que transborda, aqui sentimos um menino prodigioso e apaixonado por música, que tem uma forte paixão, a conexão e o laço de uma família.


A música não é somente um tema, como é incorporada entre um apoio emocional e sensível que demarca a errância de pessoas que precisam fugir de um passado enquanto outros apenas precisam viver o momento. A montagem em dissoluções contínuas que não apenas mantém uma sobreposição formal da imagem, mas que estabelece o laço, a unidade de uma experiência que se forma.




Sidney Lumet é um diretor que está firmado no imaginário cinéfilo com filmes cruciais para a história do cinema. E mesmo que "Running On Empty" possa ainda não ter credenciais de um clássico cinematográfico, é um filme que esbanja verdade e que tem o potencial de ser visto e revisto inúmeras vezes.




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