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  • Foto do escritorMarcio Weber

David Contra Os Bancos


poster david contra os bancos

David Contra Os Bancos”, é o quarto longa-metragem do diretor britânico, Chris Foggin ("Música a Bordo"). Especialista em filmes cômicos, o cineasta repete a dose nesta produção protagonizada por Joel Fry ("Cruella"), e conta no elenco com Rory Kinnear ("Men: Faces do Medo") e Phoebe Dynevor (da série "Bridgerton"). A história gira em torno de um cidadão comum que consegue acumular uma riqueza por conta própria e agora busca instalar um novo banco, o primeiro em mais de 100 anos, na pacata e pequena cidade de Burnley, na Inglaterra.


O roteiro de Pier Asworth é ligeiramente inspirado na vida pessoal do banqueiro Dave Fishwick, e não faz nenhuma cerimônia em não se desvencilhar de territórios batidos e algumas convenções narrativas, entre elas a do personagem principal, Hugh (Joel Fry), um advogado que vive um momento de dúvidas e queixas profissionais por parte do seu chefe, é encarregado de defender uma causa aparentemente impossível e sem qualquer tipo de precedente recente. Sem alternativa, ele é encarregado para se deslocar da capital da Inglaterra, Londres, para a cidade de Burnley, e é ali que conhece a metodologia e a personalidade única de Dave (Rory Kinnear).


As construções das personalidades, anseios e os conflitos perpassados pela produção não escondem uma certa derivação. Muitos dos personagens secundários acabam por assumir certas posições caricatas, apenas reiterando situações e preenchendo intenções dramáticas intencionadas do filme. O arco de Hugh é o típico desenvolvimento do arco de herói, onde ele começa desmotivado e desacreditado, até passar por situações de pertencimento e possuir um arco de redenção. E apesar de seu nome estar no título, o personagem de Rory Kinnear é relegado ao posto de coadjuvante e tem que como principal função ser um motor de engrenagem para o desenvolvimento narrativo do filme. Já Phoebe Dynevor parece relegada tão somente ao papel de interesse romântico.


filme david contra os bancos

A ideia de estabelecer um personagem que vai contra o senso comum e busca desafiar uma instituição tão marcada pela ganância e corrupção, gera interesse e é digna de nota, entretanto o filme não justifica essa imagem para além do texto, das falas afirmativas de Dave e de depoimentos de pessoas ajudadas por ele, ou seja, existe uma exposição e uma tentativa de alçar o personagem para um posto, mas que não fica claro as metodologias, os pensamentos e como de fato as pessoas foram beneficiadas e qual a importância de se ter o banco.


O filme trabalha como uma dicotomia de antagonistas, pessoas sem escrúpulos, ética e que não medem esforços para dificultar a vida do cidadão, em contrapartida, fica a ideia de um tipo de predestinação e a sensação de um mérito inato de pessoas que parecem destinadas para lidar com a vida em comunidade. Ao adotar essa abordagem, o filme acaba por perder certas nuances e simplificar uma história naturalmente complexa.


Mesmo com características distintas, o filme é ancorado por um ritmo que flerta com o televisivo por trabalhar com muitos planos aproximados que privilegiam o ator em relação ao espaço e muitos cortes, além de estar constantemente ressaltando a estética de plano e contra plano, em especial, nas interações.


A trilha musical assinada por Christian Henson traz um tom predominantemente açucarado e leve, com incidências pontuais de drama em momentos específicos, e apesar de ser um pouco intrusiva e utilizada em excesso, reforça ao projeto toques empáticos e largamente identificáveis, mesmo que evidencie alguma tendência a artificialidade e maniqueísmo do projeto em articular o enredo do filme.


David Contra Os Bancos” evoca alguma simpatia, entretanto a escolha equivocada de foco narrativo e algumas escolhas simplistas e excessivamente convencionais atenuam o impacto e a urgência da produção.

 

FICHA TÉCNICA

Direção: Chris Foggin

Roteiro: Piers Ashworth

Elenco: Phoebe Dynevor, Rory Kinnear, Paul Kaye

Produção Executiva: Jo Bamford, Sebastian Barker, Christelle Conan, Martin Owen, Hannah Perks

Produção: Karl Hall, Piers Tempest, Matt Williams

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