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  • Foto do escritorMarcio Weber

O Jogo da Vida e da Morte (1972, Idem) - Mário Kuperman


"Às vezes é melhor não arriscar o inferno e viver. A gente pensa, pensa e fica covarde"

A retratação de um ressentimento, de uma mágoa que é transformado em violência ao passo que este sentimento se instala, corrói modifica o estágio de vida, a forma de interação com a sociedade e em grande escala a moral individual que é alçada ao nível de amoralidade.


Investido nestes pressupostos, o escritor e cineasta Mario Kuperman. Lança mão de uma obra cinematográfica que se apropria da obra shakespeariana, em especial de Hamlet.

E disseca sintomas como a sanidade, a moralidade e complexos filosóficos mas perpassados por um olhar de um estrutura familiar suburbana de São Paulo, na década de 1970.


João (Walter Cruz) lida com a morte recente do pai. Através do encontro de uma médium ele recebe a notícia que o pai foi envenenado pelo tio Cláudio (Juca Oliveira) que acaba por realizar uma união com a mãe do rapaz (Odete Lara). Cada vez mais as palavras proferidas pela médium são assimiladas como verdadeiras e uma espiral conflituosa assola ele e a família de formas devastadoras.


Consciente da densidade reflexiva, multifacetada e alegórica do material original. Kuperman investe na filosofia e na derrocada moral, investido na inevitável fatalidade de indivíduos corrompidos pelas própria virtudes, contaminados pelo ódio, pelo poder e desejo, mas através de uma regionalidade acrescida pela dinâmica estrutural de classes sociais e códigos sociais característicos da sociedade brasileira, ilustrada por como Apolônio (Chocolate) e Ofélia (Iolanda Braga) refletem ao terem uma relação de submissão e colocados socialmente inferiores em relação a Cláudio e João. Elementos socioculturais como olhares sobre a vida urbana no Brasil na década de 70 e o samba incorporam especificidades e elementos que distinguem e justificam a adaptação.


"Jogo da Vida e da Morte" associa estéticas do cinema novo em especial por externas que mostram o coração de um país desigual, entre lixões à céu aberto, estúdios de televisão, prédios e as técnicas vanguardistas de montagem por atrações, entre ressignificações não convencionais de imagens entre momentos distintos, como cortes rápidos mostrando rostos, gestos e outros signos entre cenas de um núcleo narrativo pré-estabelecido. Tais características muito praticas por cineastas como Glauber Rocha e Ruy Guerra.


Apoiado por cenas fortes e atuações sólidas, trata-se de uma adaptação que suscita a essência da tragédia e temáticas pela obra de Shakeaspeare traduzidas para a realidade brasileira, suscitando os abutres entre nós.




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