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  • Foto do escritorMarcio Weber

A Pequena Vendedora de Sol / La petite vendeuse de soleil (1999) - Djibril Diop Mambéty

O que um menino faz, uma menina pode fazer também

O média metragem "A Pequena Vendedora de Sol" faria parte da trilogia "História de pessoas comuns" que não pode ter a conclusão devido ao óbito repentino do realizador. O trabalho é tanto uma exaltação sensível, complexa e plural de pessoas tentando superar imposições sociais que tanto oprimem quanto geram paralisações, a dificuldade de ser em um país de pobreza acintosa e o contraste com a valentia de superar as problemáticas adjacentes, a beleza do encontro e da fraternidade.





A deficiência aqui jamais é um fardo, mas uma parte da essência de alguém que não quer se submeter aos outros e por mais que o percurso possa ser dificultado, Sili confronta o status quo seja no posicionamento ao dizer não ter medo dos outros meninos jornaleiros, de afirmar que pode fazer o que qualquer menino faz e na atitude de percorrer trajetos longos e segurar objetos de peso. Ela vai contra a maré e mesmo que pareça ameaça para uma maioria opressiva,, consegue cativa pessoas e conseguir respeito.





Aqui o olhar para Dakar, na multiplicidade de pessoas e elementos definidores de um povo, seja na arquitetura, no comércio das ruas, das pessoas que se aglomeram, pelas ruas de pavimentação precária, a aglomeração de carros, um anúncio da Coca-Cola. A colisão entre as interferências externas e internas, o privado aqui não se distingue do público, o colonialismo tem um impacto mordaz, onde a essência indefinida, os flagelos do subdesenvolvimento e apropriação cultural se instalam e se visibilizam a cada passo. A câmera passeia em diferentes linguagem, composições de planos que permitem um olhar plural não como um diagnóstico, como uma denúncia, porém como um anexo orgânico de estar e ser no Senegal.





O filme encerra com a força de um discurso que mobiliza, aquele não esconde as vulnerabilidades, os desajustes e a inequidade mas se escora no que há de mais genuíno na interação humana, a coragem, a resiliência, a amizade e a lealdade como os principais dínamos da opressão que assola a humanidade.







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